Paróquia: casa da proximidade e da fraternidade
Paróquia: casa da proximidade e da
fraternidade
A reflexão à qual proponho-me neste
‘artigo de opinião’ tem a instigação de Dom Paulo Jackson, Arcebispo de Olinda
e Recife, que na nossa formação para as lideranças que articulam as atividades
da Campanha da Fraternidade no Regional Nordeste II da CNBB, que é composto
pelas províncias eclesiásticas de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do
Norte, trouxe-me esta provocação, tendo em vista o significado da etimologia da
palavra ‘paróquia, a partir da Primeira Carta de São Pedro, na referência
seguinte: “Aγαπητοί̦, παρακαλω ώζ παροίκους καί παρεπίδήμους” (cf. 1Pd 2,11):
“Amados, exorto-vos como estrangeiros e forasteiros”... O apóstolo admoesta
que, entre os gentios, a conduta dos cristãos deve ser irrepreensível para que
aqueles possam glorificar a Deus por causa do seu testemunho. Os cristãos,
segundo o autor, “devem respeitar todas as pessoas, amar os seus irmãos na fé,
temer a Deus e respeitar as autoridades constituídas” (cf. 1Pd 2,17). Ou seja,
a sua vida fará com que as suas relações sejam pautadas pelo o amor e as suas
relações tenham a marca da proximidade, e não pela ‘estranheza’ causada pelas
diferenças que expulsam os Outros.
A paróquia tem por vocação e caminho
identitário a promoção da comunhão entre os que estão inseridos em sua
constituição, seja pela sua geografia, ou pelo vinculo afetivo. A integração de
todos os que podem ser alcançados pela sua ação missionária precisa acontecer
pelo anuncio da ‘Alegria do Evangelho’. O Papa Francisco afirmara que a
“paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente porque possui uma grande
plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e
a criatividade missionária do Pastor e da comunidade. Embora não seja certamente a única instituição
evangelizadora, se for capaz de se reformar e adaptar constantemente,
continuará a ser ‘a própria Igreja que vive no meio das casas dos
seus filhos e das suas filhas’ Isto
supõe que esteja realmente em contacto com as famílias e com a vida do povo, e
não se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de
eleitos que olham para si mesmos” (cf. EG, 28).
A partir do significado de ‘παροίκους’ - casa
de estrangeiro - somos chamados a redescobrir, em contexto de cultura urbana,
se as nossas comunidades paroquiais, com suas ‘subjetividades’, estão sendo
casas de proximidade e fraternidade; se há reconhecimento de todos que deveriam
estar nelas e ainda não estão. Será que nos questionamos acerca das pessoas que
ainda não foram chamadas pelo ‘nome’ e contempladas em seu ‘rosto’? Onde elas
estão? Saimos para ir ao encontro delas? Quando saímos, que metodologia
utilizamos? O nosso estilo é propositivo, ou impositivo? O que Jesus Cristo nos
ensina sobre o nosso estilo missionário? Num mundo em que tantos “estranhos
batem à nossa porta”, como lembrava o sociólogo Zygmunt Bauman, as nossas
paróquias são chamadas a repensar as suas ações evangelizadoras para que a
maioria dos batizados, indiferentes e marginalizados possam nestas ‘tendas’ de
acolhimento e hospitalidade. Assim o seja!
Pe. Matias Soares
Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório
Natal-RN