CF 2027 quer gerar grande mutirão para cuidar, proteger e amar nossas crianças
Texto-base
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nossas crianças
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O texto-base da
Campanha da Fraternidade 2027 foi lançado na quarta-feira, 4 de novembro. Padre
Jean Poul Hansen, secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) conduziu uma live especial para apresentar o material
que vai orientar atividades e iniciativas em torno do tema “Fraternidade e o
Cuidado das Crianças”. Centenas de pessoas de todo o Brasil acompanharam ao
vivo.
“Nós queremos
com a Campanha da Fraternidade gerar um grande mutirão em todo o Brasil para
cuidar e proteger e amar nossas crianças”, disse padre Jean Poul.
Esse mutirão,
segundo ele, deve levar à conversão nas nossas comunidades cristãs para a
corresponsabilidade no cuidado das crianças, como os bispos indicam no objetivo
da Campanha:
“Promover um
caminho de conversão cristã para a corresponsabilidade no cuidado das crianças,
reconhecendo, à luz do Reino de Deus, a infância como tempo sagrado de
desenvolvimento integral, em um ambiente de relações seguras, marcadas pelo
amor e pelo respeito”.
Segundo padre
Jean Poul, a campanha vai provocar a conversão das pessoas para que elas
“formem comunidades convertidas, testemunhem o cuidado a proteção e o amor às
crianças de modo a provocar uma sociedade renovada”.
Processo de
construção
No início do
encontro virtual, padre Jean Poul detalhou o processo de construção do
texto-base da CF 2027, realizado no decorrer dos últimos dois anos com a
participação de uma gama de especialistas no cuidado das crianças. O processo
iniciou em fevereiro de 2025 após a definição do tema pelo Conselho Episcopal
Pastoral da CNBB. Este mesmo conselho orientou todo o processo, indicando nomes
e aprovando os materiais preparados.
O grupo de
redação contou com especialistas, padres e bispos. Confira os nomes:
- Bárbara Pimpão Ferreira, Curitiba (PR), com longa
trajetória na articulação da cultura de cuidado e proteção às crianças;
- Professora Emília Cipriano
Sanchez, São Paulo
(SP), acadêmica na PUC-SP e estudiosa do tema das infâncias;
- Padre Francisco Cornélio
Rodriguez: diocese de
Mossoró (RN), biblista responsável pela fundamentação bíblica do texto;
- Dom Luís Gonzaga Fechio, bispo de Amparo (SP) e
referencial nacional para a Pastoral do Menor;
- Padre Márcio Luís Fernandes, padre claretiano, professor na
PUC do Paraná e teólogo;
- Maria Bárbara Toledo, Niterói (RJ), integrante da
coordenação da Pastoral Familiar e atuante em ONG de apoio à adoção;
- Sávio Bitencourt, Niterói (RJ), esposo de Maria
Bárbara, também atuante na Pastoral Familiar e na causa da adoção e
acolhimento;
- Professora Maria Inês Millen, de Juiz de Fora (MG), médica e
teóloga da moral, responsável pela seção sobre a ética do cuidado;
- Pedro Hartung, São Paulo (SP), CEO do
Instituto Alana, organização de proteção a crianças e vulneráveis;
- Ricardo Maris: educador de Brasília vinculado
às escolas maristas;
- Dom Severino Clasen, arcebispo de Maringá (PR) e
bispo referencial nacional para a Pastoral da Criança.
Estrutura
O texto-base da
Campanha da Fraternidade 2027 está estruturado a partir da metodologia pastoral
do “Ver, Julgar e Agir”, composto por três capítulos centrais além de outras
seções com a introdução, a conclusão e os anexos.
Realidade das
crianças
O primeiro
capítulo central do texto-base apresenta um mapeamento da realidade concreta
das crianças brasileiras, com avanços e desafios vivenciados pelas crianças no
Brasil. É retratada a pluralidade e a desigualdade das infâncias, a partir da
análise das realidades rurais, periféricas, urbanas e regionais.
Ainda são
abordados tema como saúde e os primeiros anos da infância, com destaque à
iniciativa de cuidado nos primeiros mil dias de vida proposta pela Pastoral da
Criança; educação e desenvolvimento; redes de apoio e acolhimento.
A CF dedicou um
tópico para as vulnerabilidades específicas que demandam cuidado e proteção,
como violência sexual, uso de drogas, adultização/erotização digital, impacto
das telas na saúde mental, infâncias indígenas, crianças migrantes/refugiadas e
crianças no cárcere.
Iluminação da
fé
No capítulo
seguinte, há a iluminação da fé, com as fontes da Bíblia, do Magistério e da
Ética do cuidado. O texto propõe um discernimento da realidade iluminando a
reflexão com a narrativa da criança como dom e vida inviolável no Antigo
Testamento, e a atitude de Jesus no Novo Testamento ao colocar a criança no
centro e ensinar o lema da campanha: “Quem recebe uma criança em meu nome a mim
recebe” (Mt 18,5).
Quanto ao
Magistério da Igreja, são resgatadas orientações da Doutrina Social e
contribuições do magistério dos Papas São João Paulo II, Bento XVI e Francisco.
O último ponto
do terceiro capítulo refere-se à Ética do Cuidado, com uma abordagem
teológico-moral sobre a responsabilidade do cuidado mútuo e a proteção aos mais
vulneráveis.
Compromissos
práticos
O terceiro
capítulo do texto-base apresenta sete compromissos comunitários e sociais para
o cuidado das crianças:
- Acolher e defender a vida, fortalecendo as famílias;
- Escutar as crianças e reconhecer o seu lugar na Igreja;
- Formar para o cuidado e proteção;
- Fazer de toda a comunidade um ambiente seguro;
- Educar integralmente e habitar com responsabilidade a cultura
digital;
- Construir redes territoriais de cuidado;
- Incidir na sociedade pela dignidade de todas as crianças.
Protagonismo
infantil
Perpassando
todo o texto, o protagonismo infantil ganha um aspecto concreto de participação
na última parte da publicação. O trecho conta com a contribuição direta com
depoimentos, frases, poesias, orações e desenhos feitos pelas próprias
crianças.